Por Marina Roveda
A automedicação é uma prática bastante comum entre os brasileiros, que frequentemente recorrem a medicamentos para tratar dores de cabeça, febres ou desconfortos musculares. Embora essa abordagem possa parecer uma solução rápida e prática, seus riscos são significativos e muitas vezes negligenciados.
Pesquisas revelam que grande parte da população adota a automedicação como parte de sua rotina. No entanto, essa facilidade em acessar medicamentos pode levar a efeitos adversos, intoxicações e até interações perigosas entre diferentes substâncias. O médico clínico geral da Hapvida, Arilton Fontenele Lima, alerta que a familiaridade com medicamentos não deve gerar uma falsa sensação de segurança.
“É comum as pessoas acharem que, por já terem utilizado um remédio, não há riscos envolvidos. Contudo, todo medicamento deve ser administrado com cautela. Uma dosagem inadequada, o uso prolongado ou a combinação com outros remédios pode resultar em efeitos indesejados e intoxicações”, ressalta o especialista.
Cuidado com o alívio temporário
Um dos maiores perigos da automedicação é a melhora momentânea dos sintomas. Ao tomar um analgésico para dor de cabeça ou um antitérmico para febre, a pessoa pode sentir alívio instantâneo, mas isso não significa que a condição subjacente foi tratada. Sintomas persistentes, como dores de cabeça recorrentes ou febres constantes, podem sinalizar problemas de saúde mais sérios que requerem investigação.
“É importante lembrar que o alívio dos sintomas não trata a causa. Quando um sintoma se torna recorrente ou se agrava, buscar atendimento médico é essencial. A automedicação pode encobrir sinais importantes e atrasar diagnósticos”, adverte Arilton.
Os perigos da mistura de medicamentos
Outro aspecto preocupante da automedicação é a combinação de diferentes medicamentos sem a supervisão de um profissional. Misturar substâncias pode resultar em interações indesejadas, potencializando efeitos ou aumentando o risco de reações adversas. Esse cuidado é ainda mais crucial para idosos ou pacientes que utilizam medicamentos para condições crônicas, como hipertensão ou diabetes.
“É vital que o paciente informe ao profissional de saúde sobre todos os medicamentos que utiliza, mesmo aqueles usados esporadicamente. Isso ajuda a evitar interações e a definir um tratamento seguro”, explica o médico.
Além disso, é fundamental ter cautela com recomendações de amigos, familiares ou informações obtidas em redes sociais. O que funcionou para uma pessoa pode não ser adequado para outra, mesmo que os sintomas sejam parecidos.
Quando buscar ajuda profissional?
Para Arilton Fontenele Lima, a persistência ou agravamento dos sintomas é um sinal claro de que a consulta médica não deve ser postergada. Situações como febre prolongada, dor intensa, falta de ar, desmaios ou quaisquer alterações significativas no estado geral devem ser avaliadas por um profissional.
“Medicamentos não são produtos comuns. É necessário entender sua indicação, dosagem adequada, duração do uso e contraindicações. Buscar orientação de um profissional é sempre a maneira mais segura de cuidar da saúde”, conclui o clínico geral da Hapvida.

